Use este identificador para citar ou linkar para este item: http://hdl.handle.net/11612/8902
Autor(a): Reis, Marcos Paulo Barboza
Orientador: Giongo, Marcos
Título: Queimadas e incêndios florestais na região do Parque Estadual do Jalapão no período de 2000 a 2024
Palavras-chave: Cerrado;Manejo Integrado do Fogo;Unidades de Conservação;Regime de Fogo;Integrated Fire Management;Protected Areas;Fire Regime
Data do documento: 15-Jul-2026
Editor: Universidade Federal do Tocantins
Programa: Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais e Ambientais - PPGCFA
Citação: REIS, Marcos Paulo Barboza. Queimadas e incêndios florestais na região do Parque Estadual do Jalapão no período de 2000 a 2024.2026.117f. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais e Ambientais) – Universidade Federal do Tocantins, Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais e Ambientais, Gurupi, 2026.
Resumo: O Cerrado, bioma de alta biodiversidade historicamente modelado pelo fogo, foi submetido durante anos à política de exclusão total das queimadas ("Fogo Zero"), vigente até 2013, que, ao ignorar a inevitabilidade do fogo, favoreceu o acúmulo de combustível e incêndios de maior extensão e severidade. A partir de 2014, o Manejo Integrado do Fogo (MIF) introduziu queimas prescritas para redistribuir sazonalmente o fogo. Este estudo caracterizou o regime de fogo, sua relação com a variabilidade climática interanual e o efeito da transição entre os dois períodos de gestão em seis unidades de conservação do Mosaico do Jalapão e seu entorno (Tocantins), entre 2000 e 2024. Utilizaram-se dados mensais de área queimada (MapBiomas Fogo, Coleção 4), precipitação (CHIRPS) e temperatura de superfície (MODIS), dos quais se derivaram quatro métricas de fogo (área queimada, densidade de ignições, tamanho médio e tamanho dos maiores eventos). A análise, por unidade-ano, empregou os testes de Mann-Kendall com inclinação de Sen, correlação de Spearman e Mann-Whitney com correção de Benjamini-Hochberg (FDR), intervalos de confiança por bootstrap, um modelo linear de efeitos mistos agregando as unidades e a Série Temporal Interrompida (ITS). A área queimada apresentou forte variabilidade interanual e concentração no período tardio (agosto–outubro), que respondeu por 67% do total. Em escala de unidade, o controle climático interanual mostrou-se fraco e espacialmente inconsistente. Das 140 associações testadas, apenas três resistiram à correção, restritas à APAJA e ao SPI-6. Contudo, o modelo de efeitos mistos revelou um sinal climático consistente, porém modesto, sobre a extensão e o tamanho do fogo, ausente para a densidade de ignições, indicando que o clima modula a propagação, e não a ocorrência. Quanto à gestão, o MIF associou-se à redução da participação tardia na APAJA (r=−0,49; p=0,040) e na EESGT (r=−0,51; p=0,035), com redução média de cerca de 13% estimada pelo modelo misto de ITS e ausência de efeito no entorno. Conclui-se que o fogo em escala local é dominado por fatores de manejo e uso da terra mais do que pela variabilidade climática interanual, e que o MIF desloca o fogo para fora do período mais crítico, ainda que o baixo poder das séries individuais recomende cautela e monitoramento continuado.
Abstract: The Cerrado, a biodiversity-rich biome historically shaped by fire, was subjected for many years to a policy of total fire exclusion ("Zero Fire"), in force until 2013, which, by disregarding the inevitability of fire, favored fuel accumulation and larger, more severe fires. From 2014 onward, Integrated Fire Management (IFM) introduced prescribed burns to redistribute fire seasonally. This study characterized the fire regime, its relationship with interannual climate variability, and the effect of the transition between the two management periods across six protected areas of the Jalapão Mosaic and their surrounding Buffer zone (Tocantins), from 2000 to 2024. Monthly data on burned area (MapBiomas Fire, Collection 4), precipitation (CHIRPS), and land surface temperature (MODIS) were used, from which four fire metrics were derived (burned area, ignition density, mean scar size, and the size of the largest events). Analyses were conducted on a protected area-year basis using the Mann-Kendall test with Sen's slope, Spearman correlation and Mann-Whitney tests with Benjamini-Hochberg (FDR) correction, bootstrap confidence intervals, a mixed-effects linear model pooling the protected areas, and Interrupted Time Series (ITS) analysis. Burned area showed strong interannual variability and was concentrated in the late season (August–October), which accounted for 67% of the total. At the protected area scale, interannual climate control proved weak and spatially inconsistent: of 140 associations tested, only three survived correction, restricted to APAJA and SPI-6. However, the mixed-effects model revealed a consistent, though modest, climate signal on the extent and size of fire, absent for ignition density, indicating that climate modulates fire spread rather than occurrence. Regarding management, IFM was associated with a reduction in late season share in APAJA (r = −0.49; p = 0.040) and in EESGT (r = −0.51; p = 0.035), with an average reduction of about 13% estimated by the mixed-effects ITS model and no effect detected in the Buffer zone. We conclude that fire at the local scale is dominated by management and land-use factors rather than by interannual climate variability, and that IFM shifts fire away from the most critical period, although the low power of individual time series recommends caution and continued monitoring.
URI: http://hdl.handle.net/11612/8902
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